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A entrevista

... Eta homem bruto da zorra. Fica bravo fácil. O diabo que quer ficar na frente dele, não eu. Se Lampião, que era Lampião, não aguentou, imagine o resto...

Ao tomar posse como delegado de CUSTIPIU, o tentente BEZERRA foi convidado para dar uma entrevista no serviço de alto-falantes da cidade, através do qual toda a comunidade sabia das notícias e fofocas, sendo pois, considerado um serviço de utilidade pública. O entrevistador foi o JONGA, responsável pelo serviço e considerado o melhor e mais informado repórter da região (diga-se de passagem, que era o único da região). Querendo mostrar que sabia da história de vida do delegado, ele assim começa a entrevista:


- Senhoras e senhores, aqui é do serviço de alto-falantes de CUSTIPIU, que leva informações para toda a nossa cidade e adjacências. Este que vos fala sou eu, o repórter JONGA, líder de audiência na região e o nosso entrevistado de hoje é o nosso bravo delegado BEZERRA, oficial da Polícia Militar do Estado da Bahia - um homem com muita história de luta pela moralização do nosso Estado. E, dirigindo-se ao delegado, diz:


- Tenente BEZERRA, sabemos de grande parte de sua história, porém temos uma grande curiosidade: o famigerado bandido deste nosso sertão, o cangaceiro Lampião, que se autointitulava “Rei do Cangaço” foi morto há pouco tempo por uma ação de um bravo tenente BEZERRA. Pergunto, então: foi da sua arma que saiu esse tiro?


Faz-se um breve silêncio, entra um fundo musical. E, enquanto isto, nosso delegado pensava rapidamente, pois na verdade o tenente do qual o locutor falava era o tenente JOÃO BEZERRA, da PM de Pernambuco. Porém, para ele seria um motivo de glória, todos o respeitariam muito mais se ele confirmasse essa história. Mas, se um dia soubessem a verdade, ele passaria por um grande mentiroso. De repente, fecha a cara, dá um tapa de mão aberta sobre a mesa e diz:


- Eu num já disse que não falava mais sobre este assunto? Eu tenho que preservar a minha segurança. E está encerrada a entrevista.


E o delegado levanta-se e vai embora. O locutor JONGA embasbacado, ainda aturdido, sem lembrar que estava no “ar” comenta:


- Eta homem bruto da zorra! Fica bravo fácil. O diabo que quer ficar na frente dele, não eu. Se Lampião, que era Lampião, não aguentou, imagine o resto... te desconjuro... não quero saber dele, quanto mais longe dele melhor...


E todos que viram e ouviram esta cena, concordaram com o comentário que DUNGA, o eterno bêbado de CUSTIPIU, fez ao ouvir esta cena:


- Pô! Eta cara brabo esse tá delegado. Oia que home bruto...


E desse dia em diante, nunca mais o viram bêbado.


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