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Lanchonete Shangai




É festa em CUSTIPIU, pois está sendo inaugurada a primeira lanchonete de luxo da cidade, onde você encontra enorme variedade de sanduíches, picolés, sorvetes, refrigerante para todos os gostos, além de cervejas geladíssimas, enorme variedade de bebidas destiladas, inclusive uísque. Porém, a especialidade da casa era a venda de refrescos (sucos diluídos em água, garapas) de frutas da região.


Localizada numa pequena praça, em frente à Igreja da Matriz e próximo à principal entrada da cidade, a lanchonete SHANGAI era vista de qualquer maneira por quem visitasse a cidade.


A Shangai tinha vários garçons, todos treinados em como atender bem aos clientes, os quais por sua vez falariam bem do atendimento aos amigos e conhecidos, trazendo novos clientes para a lanchonete. Dentre estes garçons, destacava-se LECO, filho de FILÓ. Ele era um moleque sabido, desinibido e tinha o maior orgulho de trabalhar naquele local, gabando-se de que lá tinha o maior estoque de bebidas da região e se ele estivesse atendendo, o seu cliente nunca ficaria em falta de algo para beber.


JUCA era um representante da indústria farmacêutica que, apesar de já trabalhar na região há mais de cinco anos, ainda não tinha se acostumado com o clima seco e quente naquela fase do ano. Ele já estava trabalhando pelas redondezas há uns dez dias e há uns dois vinha tendo uma bruta dor de barriga, associada à diarreia, que não lhe dava sossego. Era um dia de verão, exatamente 15h, sol escaldante, tempo abafado. JUCA estava entrando em CUSTIPIU, suando frio de cólica, precisando ir urgente a um sanitário quando, de repente, vê aquela lanchonete linda à sua frente e imagina:


- Um lugar lindo como este deve ter um sanitário decente para resolver meu problema.


JUCA para o carro num pequeno estacionamento privativo para clientes e, tentando aparentar o máximo de tranquilidade possível, se aproxima do balcão.


LECO, que de dentro do balcão vê o cliente se aproximando, observa a sudorese dele e tenta adivinhar seus pensamentos. Com aquele sol quente e suando daquela maneira, este camarada, com certeza, vai querer beber refresco e naquele dia ele só tinha sabor de maracujá. E se o cliente quisesse de outro sabor, o que fazer? Tinha que fazer alguma coisa rapidamente e, assim, quando JUCA chega ao balcão, o garçom pergunta-lhe:


- Boa tarde, senhor! Gostaria de tomar um refresco de que sabor? Temos hoje uma promoção especial para os clientes visitantes: uma jarra do nosso melhor produto, o saborosíssimo refresco de maracujá de vaqueiro...

- Bote logo um para mim, por favor! - Solicita o aflito JUCA.

- Claro, claro! Entendo a sua pressa. - Diz o gentil Garçom. E continua: - Temos também uns deliciosos sequilhos que quando acompanham este refresco deixam a vida muito mais saborosa.

- Sirva, sirva logo isto e tudo mais saboroso que você tiver aí! - Diz JUCA, querendo evitar que lhe fosse oferecido mais alguma coisa. E continua: - Mas me diga uma coisa...

- O que você quiser saber! Meus amigos dizem que sou a pessoa mais informada da cidade.

- Ah! Obrigado! Mas é coisa simples, eu...

- Tudo o que o senhor quiser saber, desde os casos do atual prefeito até...

- Moço, pelo amor de Deus, você tem WC (dablio C)? - Falou o aflito JUCA, já em tom de desespero.

- Hummm...


E o garçom, por alguns instantes, ficou pensando o que dizer, pois este tal de WC ele nem sabia o que era, mas fora orientado a nunca dizer que não tinha o produto pedido pelo cliente. E olhando para a prateleira de bebidas, fala para o desesperado JUCA:


- Senhor, sinto muito, mas a última garrafa de WC que nós tínhamos eu vendi há uma hora atrás. Posso lhe ser útil em mais alguma coisa?

- Não FDP. Já não adianta mais... Vá pro inferno, desgraçado...


E, sem que LECO pudesse dizer mais nada, o visitante entra correndo no carro e desaparece na estrada. LECO até hoje se pergunta o que é que ele fez de errado...


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